BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A fila de espera por benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) subiu novamente em dezembro de 2024 e alcançou a marca de 2,042 milhões de requerimentos.

O número é maior do que o recorde observado no início de 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Na época, o fim da necessidade de agendar atendimento impulsionou a fila a 2,032 milhões de pedidos.

Os dados, bastante defasados, foram divulgados nesta quarta-feira (2) pelo Ministério da Previdência Social. Em pleno mês de abril, porém, ainda não há informações sobre a evolução do estoque de pedidos nos meses de janeiro e fevereiro de 2025.

Especialistas de fora do governo têm ficado incomodados com a demora na publicação dos documentos e questionam se há, por trás disso, alguma tentativa do Executivo de protelar o reconhecimento da piora na fila.

O Beps (Boletim Estatístico da Previdência Social), o mais tradicional documento com informações sobre requerimentos e novas concessões de benefícios, costuma ser divulgado em até 45 dias após o fim do mês de referência.

Nos últimos meses, porém, os atrasos ficaram constantes. Os dados de outubro e novembro de 2024 só foram divulgados em meados de fevereiro deste ano. Na ocasião, o MPS atribuiu a demora a “inconsistências em dados enviados pela Dataprev” e disse que as informações de dezembro seriam publicadas “nos próximos dias” -mas levaram mais de um mês para se tornarem públicas.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, reconheceu que a empresa realizou ajustes nos sistemas que atendiam ao INSS, mas que acabaram prejudicando a extração de estatísticas pelo MPS. Segundo ele, o problema foi corrigido.

Nesta quarta, o ministério voltou a dizer que o atraso “se deve a inconsistências nos dados recebidos” e que este é “um motivo totalmente alheio à capacidade do MPS para divulgar o boletim mensalmente”.

Embora represente uma fotografia do passado, a divulgação dos números ocorre em um momento de queda da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que elencou a redução da fila do INSS como uma de suas promessas de campanha.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta mostra que a avaliação negativa do governo saiu de 37% em janeiro, mês do levantamento anterior, para 41%. Já as opiniões positivas caíram de 31% para 27%. A perda de popularidade se deu inclusive nos segmentos tradicionalmente mais simpáticos ao petista, como as mulheres e eleitores da região Nordeste.

Em fevereiro, pesquisa Datafolha já havia mostrado a queda da aprovação de Lula.

A fila do INSS já havia interrompido a trajetória de queda em julho de 2024, voltando a subir sob o governo Lula. Entre julho e setembro, na esteira da greve de servidores do órgão, a alta havia sido de 445 mil requerimentos à espera de análise.

Em outubro e novembro, o estoque de pedidos se avolumou ainda mais. Em dois meses, o aumento foi de 186,2 mil. Agora, em dezembro, a expansão foi de 57 mil pedidos em estoque.

Além dos efeitos da greve, integrantes do governo atribuem o crescimento da fila ao aumento no número de requerimentos, que tem exigido maiores esforços do Executivo para regularizar a situação.

O Executivo também rejeita a comparação com os números do governo Bolsonaro, sob a justificativa de que, naquela época, a fila não incorporava pedidos à espera de perícia médica, hoje incluídos na estatística.

O governo ainda tem feito um mapeamento de segurados que ingressam com pedidos de mais de um benefício ao mesmo tempo, ou recorrem de requerimentos indeferidos ao mesmo tempo em que fazem um novo pedido inicial para a mesma modalidade.

Esse dado inclusive foi incorporado ao Beps em dezembro. Segundo o governo, havia naquele mês 303,5 mil pedidos reiterados. O número considera aqueles que foram precedidos por um requerimento de mesma espécie nos seis meses anteriores –indeferido pelo INSS ou concedido, mas que dependia de renovação (como pode ser o caso de um auxílio-doença).