SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O músico e empresário Fióti disse, em nota divulgada nesta quarta-feira (2), que a exposição da disputa com Emicida pelo controle da Laboratório Fantasma o deixou arrasado. No comunicado, ele “refuta veementemente” a acusação pública de desvio de R$ 6 milhões que o irmão faz em um processo que corre na Justiça de São Paulo.
“Fiz uma retirada de lucros significativa recentemente, de um valor que me era de direito, com a ciência de todos os sócios”, escreve Fióti na mensagem. “É importante destacar que meu irmão e sócio também fez retiradas de lucros significativas nos últimos anos, que alcançam montantes muito mais altos -mas tudo sempre acordado entre nós.”
O empresário afirma ainda que, há algum tempo, Emicida manifestou o desejo de fazer uma cisão no grupo empresarial Lab Fantasma, que é composto por algumas empresas, negociando a separação de patrimônio sob a orientação de advogados.
“Infelizmente, ainda não chegamos a um acordo”, diz o músico, lamentando que o caso tenha chegado à imprensa.
Em outro trecho, Fióti diz que segue “buscando resolver essa situação da forma mais respeitosa e justa possível, infelizmente agora com a intermediação da Justiça” e afirma respeitar o irmão como artista.
“O que construímos juntos é muito maior que esse lamentável e triste episódio em que estamos imersos -e que não traduz os valores que trouxemos de casa, nem os que nos conduziram nessa trilha de sucesso artístico e empresarial que inspirou tanta gente”, afirma.
O rompimento dos irmãos veio a público na sexta (28), quando Emicida anunciou nas redes que Fióti não o representava mais, mas os atritos vêm de antes. No fim do ano passado, os dois chegaram a um acordo para realizar a separação da sociedade, num processo que deveria durar entre três e seis meses. A ideia era inclusive nomear um executivo para dirigir provisoriamente as operações do Laboratório Fantasma.
Mas, em janeiro, Emicida diz ter descoberto uma retirada de R$ 1 milhão da empresa para a conta de Fióti. Por isso, ele resolveu fazer uma pesquisa -e com isso localizou outras retiradas ao longo de nove meses, que somam os R$ 6 milhões.
O rapper então anulou uma procuração que dava ao irmão poderes de gestão na sociedade, barrando o acesso dele às contas do Laboratório Fantasma.
Fióti, então, entrou na Justiça para ter o acesso restabelecido. No processo, ele também pede que o irmão seja impedido de retirar dinheiro da empresa ou assinar novos contratos -e que também não possa se apresentar publicamente como único sócio.
A Justiça negou o pedido de liminar que ele tinha feito para voltar a ter acesso aos recursos da empresa.
O empresário afirma que a acusação de desvio não tem fundamento e que as transferências eram retiradas de lucros a que tinha direito -e que elas foram comunicadas a Emicida em um email.
Numa nota, Fióti diz que todas “as movimentações feitas durante sua gestão foram transparentes, registradas e seguindo os procedimentos financeiros adotados pelos gestores”. Segundo ele, a acusação de desvio “é falsa e inverte os fatos” -e Emicida recebeu valores superiores, incluindo distribuição de lucros, o que estaria provado nos próprios documentos do processo.
Segundo o contrato da sociedade, Emicida tem 90% de participação na empresa, enquanto Fióti tem 10% das cotas.
A defesa de Fióti argumenta que, apesar da composição societária formal, as empresas do grupo pretendem criar divisão de lucros meio a meio entre os irmãos.
Emicida se queixa também da prestação de contas de sua carreira artística por um longo período -embora o Laboratório Fantasma represente outros nomes, o rapper diz que 80% do faturamento da empresa vem de seu trabalho musical.
LEIA A ÍNTEGRA DO COMUNICADO DE FIÓTI
“A exposição da situação contratual e jurídica da Lab Fantasma -além de questões familiares- na esfera pública me deixou arrasado. Quem trabalha ou trabalhou ao meu lado sabe da minha conduta, transparência e ética. Estou lidando com tudo isso com o máximo de cuidado e respeito. Apesar das divergências, sigo buscando resolver essa situação da forma mais respeitosa e justa possível, infelizmente agora com a intermediação da Justiça.
Criamos a Lab Fantasma há 16 anos, e sinto que conseguimos transformar um sonho independente em uma referência nacional de inovação, representatividade e impacto cultural. A ideia sempre foi ultrapassar o entretenimento, criando oportunidades para artistas de origens como as nossas, ampliando narrativas periféricas e promovendo mudanças na indústria da música, da moda e da comunicação no Brasil. O sucesso da Lab é coletivo porque se sustenta na valorização de identidades historicamente marginalizadas, provando que é possível crescer sem abrir mão de princípios.
Como em qualquer sociedade ou relação familiar de longa data, divergências podem surgir -é natural. Há algum tempo, meu irmão manifestou o desejo de fazermos uma cisão no grupo empresarial Lab Fantasma. Ficou combinado que faríamos uma avaliação do grupo, composto por algumas empresas, e negociaríamos a separação do patrimônio, orientados por nossos advogados. Infelizmente, ainda não chegamos a um acordo, e nossa negociação foi exposta na imprensa, na esfera pública, onde jamais deveria estar -especialmente em respeito à nossa família e a todos que trabalham com a gente.
Eu só vim aqui porque sou empresário e não posso deixar de responder a uma acusação pública de desvio de dinheiro, o que refuto veementemente. Gostaria de deixar claro que todas as movimentações realizadas durante a minha gestão, incluindo a distribuição de lucros para os sócios, foram transparentes e registradas de acordo com os procedimentos padrão das áreas administrativa e financeira da Lab Fantasma.
Fiz uma retirada de lucros significativa recentemente, de um valor que me era de direito, com a ciência de todos os sócios. É importante destacar que meu irmão e sócio também fez retiradas de lucros significativas nos últimos anos, que alcançam montantes muito mais altos -mas tudo sempre acordado entre nós.
Quero ressaltar que respeito muito o Leandro como artista, e espero que a gente chegue a um lugar comum o quanto antes como sócios. O que construímos juntos é muito maior que esse lamentável e triste episódio em que estamos imersos -e que não traduz os valores que trouxemos de casa, nem os que nos conduziram nessa trilha de sucesso artístico e empresarial que inspirou tanta gente.”