SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A agência de classificação de risco Moody’s apontou alguns sinais de alerta na aquisição do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (2), a agência vê “alto risco de execução e integração” na operação, com potencial de abaixar a nota de crédito (rating, no jargão) da instituição brasiliense.

Entre os motivos, a Moody’s aponta para o fato de o BRB ser um banco público, “o que implica em uma estrutura de governança complexa”, e para os empréstimos “ilíquidos” do Banco Master concentrados em um número limitado de clientes. O termo alude para investimentos em recebíveis com baixa conversibilidade em dinheiro, ou seja, que são difíceis de vender.

A agência ainda aponta que o BRB estava enfrentando dificuldades na geração de lucros desde 2021. “O objetivo final é melhorar sua baixa lucratividade, que tem sido pressionada desde 2021. A combinação de alto crescimento e menor geração de lucros reduziu a capitalização principal do BRB. Em setembro de 2024, o capital principal do banco era de 7,7%, em comparação com 11,4% três anos antes.”

Da outra ponta, o Banco Master também adotou uma estratégia de crescimento acelerado, “tanto organicamente quanto por meio de aquisições em banco de investimento, seguros e banco digital”.

O relatório lembra que o Master se tornou a 25ª maior instituição financeira do Brasil em ativos em junho de 2024, subindo da 77ª posição em 2021. Em três anos, estabeleceu presença em cartões de crédito consignado, serviços de câmbio e empréstimos corporativos -áreas complementares à operação regional do BRB.

“Embora esta aquisição tenha o potencial de melhorar a diversificação de negócios do BRB e a capacidade de ganhos a médio prazo, a expansão acelerada do BRB, combinada com a estratégia complexa e de alto crescimento do Master, aumenta os riscos de execução inerentes à aquisição de um banco de tamanho semelhante”, afirma o relatório.

Também há incertezas em relação ao impacto da aquisição nas contas do banco brasiliense, ainda que a perspectiva inicial seja favorável.

“Como o preço de aquisição representa um desconto de 25% em relação ao valor contábil do Master, o impacto no capital do BRB deve ser positivo, mas ainda há um alto grau de incerteza neste ponto”, escreve.

O anúncio da aquisição de 58% das ações do Master pelo BRB foi realizado na sexta-feira (28) por meio de comunicado ao mercado e surpreendeu o sistema bancário brasileiro, sobretudo os grandes bancos, que vinham criticando as operações do Master com CDBs (Certificado de Depósito Bancário) conduzidos pelo seu dono, Daniel Vorcaro.

O BRB tem uma capitalização de mercado de R$ 6,48 bilhões. O preço de aquisição está fixado em 75% do patrimônio líquido (diferença entre ativos e passivos), que, segundo o último balanço, estava em R$ 4,74 bilhões no final do ano passado.

Dessa forma, 75% do patrimônio líquido seriam R$ 3,5 bilhões em relação aos dados de dezembro.

O Master acelerou o crescimento nos últimos anos com uma estratégia considerada agressiva. Ofereceu CDBs a taxas que chegaram a 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), enquanto o mercado mal encosta em 100%. Na posição de banco de pequeno porte, colocava o produto no mercado por meio de outras instituições. Na outra ponta, fazia empréstimos e investimentos em empresas consideradas problemáticas.