SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Vereadores paulistanos aprovaram nesta quarta-feira (2) uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as causas dos alagamentos no Jardim Pantanal e em bairros vizinhos historicamente afetados por enchentes na zona leste de São Paulo.
Proposta pelo petista Alessandro Guedes, a CPI terá entre seus focos o fechamento das comportas da barragem da Penha, também na zona leste, pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante as cheias do rio Tietê. O governo nega influência do equipamento no problema.
Também deverá ser alvo da comissão a intenção manifestada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) de remover moradias, além de multar construções consideradas irregulares, segundo o vereador. Procurada pela reportagem, a prefeitura não havia se manifestado até a publicação deste texto.
Guedes sustenta a versão de moradores sobre a responsabilidade do governo estadual no agravamento das enchentes. Administrada pela SP Águas, agência subordinada ao governador, a barragem da Penha tem entre suas funções regular a vazão do rio.
Esse controle é utilizado para reduzir alagamentos na nas pistas da marginal do Tietê, via expressa que é o principal acesso ao centro da capital para motoristas vindos do aeroporto de Guarulhos e de cidades do leste da Grande São Paulo.
“Apesar de a SP Águas dizer que a barragem não influencia na enchente no Pantanal, na última enchente eu estive lá e apenas uma comporta estava completamente aberta, mas quando as demais foram abertas, a água [nos bairros alagados] começou a baixar”, afirmou o vereador.
Segundo a SP Águas, o fechamento da barragem não afeta os bairros porque a barreira está em região mais baixa. Técnicos da agência disseram à Folha de S.Paulo que os efeitos do fechamento da barragem não vão além dos primeiros cinco quilômetros em direção ao alto do Tietê.
O Jardim Keralux, primeiro dos bairros afetado pelos alagamentos, está a cerca de seis quilômetros a leste da barragem. O Jardim Pantanal fica a mais de dez quilômetros.
Líder de um movimento local criado para cobrar soluções contras as enchentes, o servidor público Euclides Mendes do Nascimento, 54, discorda da versão da SP Águas. “Sempre que fecham essa barragem, nós somos afetados”, diz.
Ele também afirma que a construção de novos pôlderes obra de engenharia que armazena água em áreas baixas poderia resolver a questão. Dois já foram construídos na região. “Na Vila Itaim, onde moro, o pôlder resolveu”, afirma Nascimento.
A SP Águas não descarta a possibilidade de mais pôlderes, mas a área técnica do órgão avalia que os equipamento também traria impactos negativos. Diversas estruturas de armazenamento de água poderiam, por exemplo, provocar cheias em locais onde não há alagamentos, avaliam.