SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), entregou hoje o 1º Centro Municipal para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo da cidade. Aguardado com expectativa por pacientes e familiares, o equipamento poderá realizar até 20 mil atendimentos especializados por mês, ampliando a capacidade da rede, ainda considerada insuficiente diante da demanda de casos cada vez maior.
O centro fica em um espaço de 5.800 metros quadrados na Avenida Santos Dumont, na zona norte. O espaço é destinado a crianças, a partir dos seis anos de idade, adolescentes e adultos.
Com investimento total de R$ 54 milhões, o equipamento é o primeiro de uma lista de quatro unidades prometidas pela atual gestão. “Vamos fazer outros três centros TEA e de forma acelerada”, prometeu Nunes. O compromisso foi oficializado no plano de metas do segundo mandato, divulgado nesta segunda, 31.
No local, serão ofertadas tratamentos multidisciplinares com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos, por exemplo. Construído para atender pacientes autistas e seus familiares, o centro oferecerá cerca de 1.000 atendimentos diários, atividades esportivas e capacitação profissional para adultos com autismo e seus cuidadores.
“Aqui nós não vamos só olhar as pessoas com transtorno do espectro autista, nós teremos uma atenção especial para os cuidadores, a mãe, o pai, os avós. É preciso ter esse olhar, quebrar esse tabu e poder falar que, sim, uma família que tem uma criança autista tem uma rotina diferente”, disse Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo.
O espaço dispõe de uma piscina coberta, quadra de esportes, auditório, biblioteca, salas para a prática de integração sensorial (modalidade da terapia ocupacional indicada para autistas) e outras terapias multidisciplinares, refeitório, playground e uma casa mobiliada onde pessoas com autismo poderão desenvolver habilidades de autocuidado e autonomia.
Segundo a secretária municipal da Pessoa com Deficiência, Silvia Grecco, os atendimentos terão duração de três horas. A periodicidade, no entanto, não foi informada nem a forma como os pacientes serão selecionados caso a demanda supere a oferta de vagas.
Estudos internacionais estimam hoje que uma criança, em cada 36 nascidas, terá o diagnóstico. Segundo a prefeitura, seriam cerca de 350 mil pessoas na capital.
Hoje, 2 de abril, é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2007, a data visa promover conhecimento sobre o espectro, incentivar a inclusão e reduzir a discriminação e o preconceito.
O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por manifestações comportamentais atípicas, déficits na comunicação e na interação social. Sinais que não têm cura, mas que podem ter sua intensidade minimizada a partir do diagnóstico e intervenção precoces.
COMO SE INSCREVER
Durante o evento, Silvia afirmou que as inscrições serão realizadas por meio de um site próprio (https://teaconectado.com.br/). Para agendar a triagem será necessário apresentar já no início do processo documentos pessoais e laudos médicos que indiquem o diagnóstico.
A solicitação será analisada pela equipe do Centro TEA no prazo máximo de sete dias úteis. Os pacientes aprovados terão garantido um ano de atendimento com possibilidade de renovação por mais um ano.
Profissionais, como servidores públicos do município de São Paulo ou aqueles que atuam ou desejam atuar com pessoas com autismo, poderão integrar o Centro TEA por meio de capacitações especializadas, seminários, conferências e aulas sobre o tema.
A gestão do equipamento ficará a cargo do Lemda (Instituto Lar Mãe do Divino Amor), que venceu o chamamento público lançado em novembro passado e receberá R$ 63,2 milhões para oferecer todos os serviços prometidos.
CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES
Também nesta quarta, a prefeitura informou ter aberto 2.000 vagas para professores interessados em se especializar no atendimento de crianças autistas.
Entre 2021 e 2025, a rede municipal de ensino viu explodir o número de alunos TEA matriculados em escolas regulares. A alta foi de quase 300%, passando de 4,9 mil alunos para os atuais 19 mil. O ritmo de contratação de auxiliares específicos também cresceu, mas não na mesma proporção: passou de 1.200 para 2.740 (incremento de 128%).