SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a seu círculo íntimo, incluindo membros de seu gabinete, que Elon Musk, considerado homem de confiança de Washington, vai se afastar de seu papel como conselheiro do governo nas próximas semanas. A informação foi divulgada pelo site Politico.
De acordo com a reportagem, Trump continua satisfeito com Musk e sua atuação no Doge (Departamento de Eficiência Governamental), de acordo com três interlocutores do presidente que pediram anonimato ao Politico para descrever a situação.
Mas Trump e Musk decidiram nos últimos dias que em breve será hora de o bilionário retornar aos seus negócios e assumir apenas um papel de apoio, do lado de fora do governo, segundo esses informantes ao Politico.
Um funcionário da Casa Branca disse à agência de notícias Reuters que os investidores de Musk querem que ele retorne às suas empresas, que seu trabalho com a Doge seria concluído em 130 dias e que ele havia comunicado isso ao presidente diversas vezes.
Segundo este membro do governo, que falou sob condição de anonimato, Musk não iria embora antes que seu trabalho no Doge estivesse concluído e fica evidente nos corredores do governo que ninguém o está expulsando.
O iminente afastamento de Musk ocorre à medida que alguns informantes do governo Trump e muitos aliados externos têm ficado frustrados com sua imprevisibilidade e cada vez mais veem o bilionário como um ônus político.
A situação ficou mais clara nesta terça-feira (1º), após o desgaste com a derrota de um juiz conservador apoiado por Trump e Musk na eleição por um assento na Suprema Corte de Wisconsin. O magistrado Brad Schimel, que perdeu a disputa para a progressista Susan Crwaford, recebeu mais de US$ 20 milhões (R$ 113 milhões) de Musk e de pessoas ligadas a ele na campanha.
O presidente já havia dado indícios de que Musk estaria de saída de sua função não oficial de conselheiro principal na Casa Branca.
Na segunda-feira (31), durante uma cerimônia de assinatura de decretos, Trump afirmou: “Em algum momento ele [Musk] vai voltar [para suas empresas]. Eu vou manter ele pelo tempo que conseguir, ele é um cara muito talentoso. Eu amo pessoas muito inteligentes e ele é muito inteligente e tem feito um bom trabalho. Eu gosto de pessoas com alto QI. Em algum momento o Elon vai querer voltar para sua empresa.”
O desgaste ocorre em meio à crescente preocupação pública sobre a turbulência causada pelo Doge, órgão informalmente liderado por Musk, e também enquanto a Tesla, empresa de veículos elétricos do bilionário, viu suas ações caírem pela metade nos últimos meses. Depois da publicação da reportagem no Politico, os papéis da Tesla voltaram a subir. Por volta das 13h de Brasília, registravam alta de 3,9%, depois de uma queda de 6% no início do pregão.
Musk tem sido alvo preferencial de críticas nos primeiros meses do mandato do republicano. É comum que manifestações contra os cortes de agências federais e demissões de servidores contenham faixas contra o bilionário e classificando-o como o verdadeiro presidente, em detrimento de Trump.
O próprio Trump já havia abordado o tema mesmo antes de tomar posse. Em dezembro, já eleito e em um sinal de que não aceitaria uma sombra em seu mandato, disse poder garantir que Musk não seria presidente. “Estou seguro disso. Sabe por que ele não pode ser [presidente]? Ele não nasceu neste país”, afirmou o republicano durante evento no estado de Arizona, na ocasião.
Musk foi um dos financiadores da campanha de Trump à Casa Branca e fez dezenas de publicações no X em apoio ao republicano. Registros eleitorais indicam que as doações do empresário superaram US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão).