SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Nem sempre o ditado “tal pai, tal filho” se confirma no futebol, especialmente quando se trata de grandes ídolos. Nomes como Pelé, Zico, Romário, Túlio Maravilha, Mazinho, Bebeto, Marcelinho Carioca e Rivaldo construíram carreiras memoráveis, mas seus herdeiros tiveram trajetórias distintas.
Seguindo essa linha, Magno Alves, ex-atacante de Ceará e Fluminense, decidiu voltar aos gramados aos 49 anos, após três anos afastado. O motivo? Seu filho, Pedro, de 21 anos, é meio-campista do Atlético Cearense, que disputou a Série B do Campeonato Estadual. Juntos, pai e filho viveram um momento raro no futebol, onde gerações distintas compartilham não apenas o sobrenome, mas também o mesmo time dentro das quatro linhas.
O RETORNO INESPERADO
Magno Alves revelou que a volta não foi planejada, mas surgiu a partir de conversas e incentivos de outros jogadores.
Foi algo não premeditado. Alguns jogadores falaram: ‘por que você não nos ajuda?’. Juntando isso com a chance de atuar ao lado do Pedro, resolvi aceitar.
Pedro, de 21 anos, também não imaginava que um dia jogaria ao lado do pai.
“Nunca foi um sonho, porque eu nem imaginava que seria possível. Mas tudo aconteceu naturalmente, e agora estamos aqui”, contou o jovem meia-atacante.
Pai e filho dividem a mesma equipe, mas a relação dentro de campo é profissional. Magno faz questão de cobrar do filho a mesma dedicação exigida dos demais atletas.
“Se fizeram comigo, eu tenho que fazer com ele também. O objetivo é sempre o melhor para o coletivo”, destacou.
Pedro confirma que a cobrança existe e que, muitas vezes, as broncas do pai se tornam memoráveis.
“Ele pega no meu pé todo dia. Mas não é só comigo, não. Com os outros jogadores também. Mas comigo ele pega mais pesado”, brincou.
UMA TRAJETÓRIA DE INSPIRAÇÃO
Magno Alves teve uma carreira de sucesso, com passagens marcantes por clubes como Fluminense e Ceará. Pedro acompanhou de perto a trajetória do pai e se inspirou para seguir no futebol.
“O que mais me impressionava era a finalização dele. Direita, esquerda, de cabeça, ele fazia gol de todo jeito”, lembrou.
Sobre a qualidade do futebol atual, Pedro admite que não se compara à época do pai. “Acho que ele também pensa assim. nesta quarta-feira (2) é diferente, é só comparar a seleção brasileira de antes com a de agora”.
Magno Alves destaca que seu maior desejo para o filho vai além dos gramados. “O mais importante é que ele se torne um homem de caráter. Como atleta, o sonho dele é chegar a um grande clube, e esse também é o meu desejo para ele”.
Pedro, por sua vez, sonha em seguir os passos do pai e, quem sabe, atuar pelo Fluminense, onde Magno é ídolo.
“Seria um sonho jogar lá e fazer minha própria história. Sei que sempre haverá comparações, mas cada um tem seu caminho”, afirmou.
Quanto ao futuro de Magno Alves, a continuidade no futebol ainda é incerta. “As pernas já não são as mesmas, mas ainda estou correndo”, disse ele, deixando aberta a possibilidade de seguir jogando. Independentemente do que acontecer, a experiência de pai e filho dividindo o campo já se tornou um momento único no futebol brasileiro.
FILHOS DE JOGADORES FAMOSOS
Edinho, filho do Rei, foi goleiro do Santos e depois se tornou treinador. Thiago Coimbra, herdeiro de Zico, tentou a carreira, mas não vingou. Romarinho, filho do atual presidente do América-RJ, passou pela base do Vasco e, no ano passado, realizou o sonho do pai ao atuar ao seu lado na Série A2 do Campeonato Carioca.
Outros conseguiram maior destaque. Mazinho, tetracampeão mundial em 1994, tem dois filhos no futebol: Thiago Alcântara, que brilhou no Bayern de Munique e na seleção espanhola antes de se aposentar, e Rafinha, ainda em atividade. Bebeto, que eternizou a comemoração do “balanço de bebê” na Copa de 94, viu o filho Matheus Oliveira seguir a carreira e atualmente jogar nos Emirados Árabes.
Já Lucas Surcin, filho de Marcelinho Carioca, tentou a vida de jogador, mas nesta quarta-feira (2) trabalha na base do Corinthians como analista de desempenho. Rivaldo, eleito melhor do mundo em 1999, acompanhou na última Copinha seus filhos Isaque e João Vitor, que atuaram pelo Retrô-PE, e chegou a jogar profissionalmente ao lado de Rivaldinho no Mogi Mirim.