SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A casa de shows e espetáculos Canecão, que marcou a vida cultural em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, vive seu fim. O espaço –que já abrigou apresentações de Chico Buarque, Elis Regina e Tom Jobim, entre outros nomes– chegou a última fase de demolição. No lugar, será erguido um complexo cultural multiúso, previsto para inaugurar em 2026.

O projeto é assinado pelo arquiteto João Niemeyer e terá 15 mil metros quadrados de terreno e 20 mil metros quadrados de área construída, abarcando oito espaços de entretenimento.

Em 2009, o grupo que administrava o imóvel até então sofreu uma derrota na Justiça. O imóvel foi tombado em 2010, fechou suas portas definitivamente em outubro do mesmo ano e hoje é propriedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ.

Tombado desde 1999, o Canecão foi destombado, em 2019, e, em fevereiro de 2023, o consórcio Bonus Klefer adquiriu o Canecão por R$ 4,35 milhões, com possibilidade de explorar a concessão por 30 anos.

Localizado entre as avenidas Venceslau Brás e Lauro Sodré, o terreno tem endereço disputado, a menos de 10 minutos a pé do campus Praia Vermelha da UFRJ, e ao lado do shopping RioSul.

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PAINEL DE ZIRALDO

Um dos destaques do Canecão original era um painel de 6 metros de altura e 32 metros de largura, criado pelo jornalista, escritor e cartunista Ziraldo Alves Pinto, morto em 2024.

A obra histórica, conhecida como “Última ceia”, levou seis meses para ser concluída. Instalada no salão do Canecão, retrata personagens clássicos do artista, como Jeremias, o Bom, além de pontos turísticos do Rio de Janeiro, como os Arcos da Lapa, e momentos históricos, como a visita do Papa à cidade maravilhosa.

Segundo o documentarista Guga Dannemann, cineasta de “Ziraldo: Uma Obra Que Pede Socorro”, de 2020, apenas 30% da arte resiste em meio ao mofo, ao breu e à sujeira do local.

Em 2015, havia sido aprovado um projeto para a restauração da obra, mas impasses jurídicos acabaram adiando a empreitada. Agora, o painel será restaurado por uma equipe da UFRJ e será abrigado no espaço multiúso do novo Canecão.

ESPAÇOS DISPONÍVEIS

O complexo cultural multiúso será dividido em oito espaços. Confira:

– Grande sala de espetáculos: onde serão realizados shows, concertos, peças e apresentações, com capacidade para até 6 mil pessoas. José Augusto Nepomuceno assina o projeto acústico e de iluminação do palco.

– Espaço multiúso: voltado para a realização de pocket shows e eventos sociais e corporativos. É a área que vai abrigar o mural histórico de Ziraldo.

– Espaço de exposições: será dedicada para mostras artísticas visuais.

– Microteatro: voltado para experiências cênico-gastronômicas.

– Estúdio criativo: local com estrutura destinada à criação de produtos culturais como músicas, vídeos, entrevistas, podcasts e mais.

– Museu da Música: contará a história da casa, assim como da música nacional e internacional. Tem público estimado de 100 mil pessoas por ano. Será o primeiro espaço no Brasil 100% dedicado à história da música.

– Bosque: área verde de 5 mil metros quadrados, onde poderão ser realizadas feiras e outros eventos ao ar livre. A visitação do espaço é gratuito, com funcionamento independente das demais atividades.

– Lounge Canecão: espaço para patrocinadores e seus convidados e parceiros se encontrarem em dias de eventos na grande sala.

A nova construção conta com cinco pavimentos, divididos entre subsolo, térreo e três andares, além de uma área verde ao redor, com funcionamento independente dos espaços. O investimento total teve valor estimado em R$ 200 milhões.

A empreitada se compromete com a sustentabilidade: o projeto prevê instalação de painéis solares, um sistema de gestão de lixos e resíduos e uma estrutura de captação e reúso de água da chuva, para limpeza e irrigação de áreas verdes.

O consórcio vai construir também dois prédios para a UFRJ, no campus Praia Vermelha, também em Botafogo. Um prédio acadêmico com 80 salas de aula e um restaurante universitário serão entregues junto com o novo complexo.