BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil de Roraima investiga a morte da defensora pública estadual Geana Aline de Souza, 39, após a tentativa de inserir um DIU (dispositivo intrauterino).

Na última sexta (28), uma inspeção foi realizada no consultório da médica Mayra Suzane Garcia Valladão, responsável pelo procedimento, para auxiliar na apuração.

A defensora morreu no dia 25 de março em consequência de uma infecção generalizada uma semana após a tentativa de inserção de um DIU, que não chegou a ser concluída.

A principal linha de investigação da polícia é a prática de homicídio culposo com os agravantes de possível negligência, imperícia ou imprudência no procedimento, disse o órgão.

Em nota, a defesa da médica afirmou que ela colabora com as investigações e que a morte não teve relação com o atendimento realizado pela profissional.

“[A médica] prestou toda a assistência necessária, conforme será devidamente comprovado no momento oportuno”, disse a defesa.

Questionada pela reportagem sobre a razão de a inserção do DIU ter sido interrompida, a advogada da profissional afirmou que os dados do histórico de saúde da paciente são sigilosos.

Ela também afirmou que a médica prestou assistência após o procedimento, e que Mayra não relatou problemas.

Apesar de afirmar possuir pós-graduação em ginecologia e obstetrícia, a médica não tem registro de especialidade na página estadual do CRM (Conselho Regional de Medicina). A defesa afirma que a profissional não se apresenta como especialista nesta área, em atenção ao que determina as regras de publicidade do CFM (Conselho Federal de Medicina).

A inserção do DIU não é restrita a médicos com residência em ginecologia e obstetrícia. Uma nota técnica do Ministério da Saúde de 2021 orienta apenas que o procedimento seja feito por médicos capacitados para o procedimento, e não por enfermeiros.

A delegada responsável pelo caso, Jéssica Muniz, disse que a inspeção feita no consultório da médica foi feita ao lado da vigilância sanitária e teve o objetivo de verificar as condições de biossegurança dos equipamentos utilizados no procedimento.

Conforme a delegada, as investigações e depoimentos das pessoas envolvidas estão sendo realizados, incluindo o interrogatório da médica responsável.

“Aguardamos a conclusão do laudo pericial do material biológico da vítima, realizado pelo Instituto de Medicina Legal (IML) para darmos continuidade aos trabalhos”, afirmou, em nota divulgada pela Polícia Civil.

Procurado, o CRM-RR não respondeu. O CFM disse que não se manifesta sobre casos concretos por ser uma instância recursal.