SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As ações do Banco de Brasília (BRB) começaram esta terça-feira (1º) em disparada pelo segundo dia consecutivo, mas perderam fôlego e fecharam em queda de 4,46%, cotados a R$ 12,42. A Bolsa, por outro lado, avançou 0,68%, a 131.147 pontos.
O movimento veio após a subida de 90,34% da véspera, a R$ 13 cada, tendo como pano de fundo a instituição comprou o Banco Master.
“O mercado teve mais tempo para digerir e analisar se essa aquisição será de fato positiva”, diz Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain.
“A possibilidade de o BC (Banco Central) não aceitar a aquisição também gera incerteza nos investidores, o que traz volatilidade às ações.”
O anúncio da aquisição de 58% das ações do Master pelo BRB foi realizado na sexta-feira (28) por meio de fato relevante ao mercado e surpreendeu o sistema bancário brasileiro, sobretudo os grandes bancos, que vinham criticando as operações do Master com CDBs conduzidos pelo seu dono, Daniel Vorcaro.
O BC tem até 360 dias para decidir sobre o pedido de autorização do novo arranjo societário do BRB, e a operação ainda está sujeita à aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Apesar da pressão que envolve a aquisição, os dirigentes das duas instituições financeiras veem chance mínima de rejeição da operação pelo BC.
Eles entendem que as notícias que apontam que o BC vai vetar o novo arranjo societário visam desestabilizar o negócio, mas que ainda depende do sinal verde do órgão regulador do sistema financeiro.
O BRB tem uma capitalização de mercado de R$ 6,48 bilhões. O valor exato do acordo não foi revelado, mas, segundo o BRB, o preço de aquisição será equivalente a 75% do patrimônio líquido consolidado do Banco Master.
O Banco de Brasília é controlado pelo governo do Distrito Federal, dono de 65,63% da instituição. Outros 15,07% são de propriedade da Iprev/DF (Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal), também ligado ao governo, e o restante (19,30%) é negociado em Bolsa.
Nesta terça, Daniel Vorcaro se reuniu com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. O chefe da autoridade monetária também já conversou com com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e com o chairman e sócio sênior do Banco BTG Pactual, André Esteves.
O BTG Pactual pode entrar na transação de venda de ativos do Banco Master. As negociações envolvem a carteira de precatórios (títulos públicos judiciais) da instituição, e todas as alternativas estão na mesa de discussão com o BC -inclusive a entrada do BTG no negócio.
De acordo com relato obtido pela reportagem, Esteves vinha negociando com Vorcaro uma proposta que envolvia o uso do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para cobrir problemas de lastro que pudessem aparecer nas operações de risco do Master e o pagamento de cerca de R$ 3 bilhões pela carteira de precatórios.