MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil do Ceará prendeu nesta quinta-feira (27) mais oito suspeitos de envolvimento com ataques a provedores de internet no estado. No total, 40 pessoas já foram presas desde o início da Operação Strike, em 12 de março, que investiga atos criminosos que têm deixado bairros sem o serviço.
O foco da terceira fase da operação foi o município de Caridade, onde cerca de 90% da população ficou sem acesso à internet após ataques. Ao todo, a polícia cumpre dez mandados de prisão temporária e 16 de busca e apreensão, expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas do Estado do Ceará.
Os criminosos, segundo a polícia, ameaçavam as empresas e seus funcionários e exigiam parte do valor arrecadado com a mensalidade paga pelos clientes para que o sinal de internet continuasse a ser fornecido nas localidades.
Quem não aceitava, tinha o patrimônio e a infraestrutura de distribuição destruídos, de acordo com a investigação. A polícia ainda aponta que a facção queria tomar o controle das operações nas regiões, vendendo um serviço próprio.
O delegado da Polícia Civil Márcio Gutiérrez, que conduziu a operação, afirmou que os presos são do grupo de execução dos ataques às provedoras de internet. As equipes também estão garantindo o reestabelecimento do serviço para a população de Caridade.
“Estamos tirando essas pessoas de circulação e também mirando o patrimônio [das organizações criminosas]. Importante afirmar que, nessa operação em Caridade, quatro mandados de prisão foram direcionados a alvos que estão foragidos do Rio de Janeiro”, enfatizou.
De acordo com relatório feito pela Polícia Militar, facção criminosa exigia das empresas pagamentos mensais no valor de R$ 20 por cliente, sob pena de represálias. Quando a provedora se negava a repassar os valores, os criminosos destruíam redes de fibra ótica, caixas de transmissão e antenas. Os ataques ocorreram, em sua maioria, no período da madrugada.
Há uma semana, um carro de uma fornecedora serviços de internet foi incendiado no bairro Farias Brito, em Fortaleza. Ao menos seis empresas foram alvo de ataques. A GPX Telecom anunciou o encerramento das atividades no dia 19.
Um grupo especial de investigação foi criado no dia 8 deste mês pelo governador Elmano de Freitas (PT), com a participação da Coin (Coordenaria de Inteligência) e da Ciopaer (Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas).
O Ministério Público do Ceará ofereceu denúncia contra cinco homens investigados por ataques contra empresas de internet no Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no dia 18.