ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) – A condição clínica do papa Francisco, que enfrenta uma pneumonia nos dois pulmões, mostrou uma leve melhora nas últimas 24 horas e seu quadro não é mais grave, informou o Vaticano nesta quarta-feira (26). A leve insuficiência renal observada nos últimos dias cessou.
A tomografia computadorizada do tórax, realizada no dia anterior, mostrou uma evolução normal do quadro inflamatório pulmonar. Os exames de sangue e hematológicos confirmaram a evolução de seu estado. O papa continua submetido à terapia com oxigênio de alto fluxo e não apresentou nenhuma crise respiratória asmática no dia. Prossegue também com fisioterapia respiratória.
O prognóstico continua sendo tratado como cauteloso pela Santa Sé. Apesar da ponderação, é o primeiro boletim que não descreve o quadro clínico como grave. Ouvido em caráter reservado, funcionário do Vaticano disse que a ausência da classificação não significava uma avaliação médica. A Santa Sé não descarta uma entrevista com os médicos que cuidam do pontífice até o fim da semana.
Pela manhã, o Vaticano informou que Francisco tivera “uma noite tranquila” no hospital Agostino Gemelli, em Roma. Ele tomou a eucaristia pela manhã e trabalhou algumas horas no período da tarde. Este já é o período de internação mais longo de Jorge Mario Bergoglio, 88, desde que se tornou papa em 2013, superando o período de dez dias em 2021, quando se submeteu a uma cirurgia eletiva no intestino.
Francisco está se alimentando normalmente e, dentro do possível, movimenta-se no quarto. O boletim médico divulgado na noite de terça-feira (25) já mostrava um quadro de estabilidade, sem novas crises respiratórias e exames de sangue estáveis. A condição de saúde, porém, ainda era considerada grave.
Na segunda-feira (24), a Santa Sé havia informado que a “insuficiência renal leve”, relatada pela primeira vez no fim de semana, não era motivo de preocupação. Foi o primeiro sinal positivo desde o agravamento de seu estado de saúde.
No sábado (22), Francisco chegou a precisar de transfusão de sangue depois de uma “crise respiratória prolongada”, uma situação que não se repetiu desde então. Ele tem uma pneumonia dupla, uma infecção grave que pode inflamar e causar cicatrizes em ambos os pulmões, dificultando a respiração. O Vaticano descreveu o quadro infeccioso como complexo, causado por dois ou mais micro-organismos.
O papa é particularmente propenso a infecções pulmonares porque desenvolveu pleurisia quando jovem e teve parte de um pulmão removido. Ele segue sob a terapia com oxigênio e sob a mesma medicação dos últimos dias.
A saúde debilitada não o afastou da liderança da Igreja Católica, ainda que boa parte das atividades estejam obviamente prejudicadas. O pontífice manteve na segunda-feira (24) audiência com o cardeal italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, responsável pela administração da igreja, e com o arcebispo venezuelano Edgar Peña Parra, seu auxiliar.
Assinou decretos de canonização e beatificação, assim como a mensagem para a Quaresma, o período de quarenta dias que antecede a Páscoa em que os católicos se preparam para a celebração com jejuns, penitências e obras de caridade. Nesta quarta-feira (26), soltou novos documentos, incluindo a Catequese.
O documento, de acordo com a Santa Sé, já estava preparado. É praxe o papa receber peregrinos nos meios de semana, sempre com uma nova mensagem. A cerimônia só ocorre com sua presença, mas a tradição de emitir a Catequese foi mantida.
Em Roma, a prece do Rosário pela saúde do papa foi realizada pela segunda noite seguida na praça São Pedro. Na terça, o evento foi conduzido por outro nome forte do Vaticano no momento, o cardeal filipino Luis Antonio Tagle. Na segunda-feira (24), a celebração coube ao cardeal Parolin. O Vaticano declarou que não há uma ordem estabelecida de celebrantes e que as escolhas se devem também à conveniência da Santa Sé, já que não há uma convocação extraordinária de religiosos neste momento.